A exposição traz um panorama do design brasileiro do século XX aos dias atuais. Com curadoria do jornalista e arquiteto Pedro Ariel Santana, reúne 48 peças de um século de design, propõe uma discussão sobre a evolução do conceito de morar, da tecnologia e do uso de materiais ao longo do século passado.
A mostra tem como marco histórico a criação da marcenaria de Celso Martinez Carrera, em Araraquara (SP), no ano de 1909, para a produção em série, seis anos mais tarde, da cama Patente. Entre os destaques, uma das salas da exposição terá os móveis pioneiros da década de 1930 e de 1940: a cadeira de braços de metal, de John Graz; o revisteiro Leque, de Gregori Warchavchik; a cadeira em metal e percintas de couro, de Flavio de Carvalho; a cadeira para escritório, da fábrica Móveis Cimo; e a cadeira Três Pés, de Joaquim Tenreiro.
“No início do século passado é quando se começa a usar o móvel construído em série, e nossas peças passam a sofrer a influência dos movimentos europeus, como a escola Bauhaus, o art déco, o funcionalismo, o modernismo”, afirma o curador. Segundo ele, antes disso havia somente móvel colonial. De lá para cá, entre altos e baixos, a indústria nacional se consolidou e o móvel brasileiro ganhou identidade.
Com o impulso da construção de Brasília, houve uma época de ouro do mobiliário nacional nas décadas de 1950 e 1960. Na segunda sala da mostra é possível conferir o Bar-Z 10-8, de Zanine Caldas; a poltrona Bowl, de Lina Bo Bardi; a cadeira em palhinha, de Geraldo de Barros; a cadeira Paulistano, de Paulo Mendes da Rocha; a poltrona Dinamarquesa, de Jorge Zalszupin; e peças da marca Branco e Preto, de Carlos Milan e Miguel Forte. Para completar, a poltrona Mole, de Sergio Rodrigues, o primeiro brasileiro a ter um móvel premiado no exterior, em Milão.
A partir da década de 1990, os designers ganham visibilidade internacional, capitaneados pelos irmãos Campana. Na mostra, uma de suas mais famosas peças, a cadeira Vermelha está exposta. O mesmo espaço traz ainda peças dos anos 1970 e 80, como a cadeira Anel, de Ricardo Fasanello; a cadeira Peg Lev, de Michel Arnault; a espreguiçadeira de Oscar Niemeyer; o banco Ressaquinha, de Maurício Azeredo; e a cadeira Flexa, de Carlos Motta. Outro importante destaque são as peças construídas com madeira tombada, como uma cadeira de Hugo França e um bowl de Pedro Petry, ou obras de jovens talentos como Manuel Bandeira com sua cadeira Levita.
Além de móveis, a mostra exibe ainda objetos como o vaso O Beijo, de Mario Seguso, e luminárias como a Super Bossa, de Fernando Prado, a Essayage, de Baba Vacaro, e a Pirilampa, de André Wagner.
Na noite de abertura da mostra, a revista Casa Claudia lançou o livro com título homônimo ao da exposição, trazendo o perfil de 83 profissionais e 500 peças, de Santos Dumont aos irmãos Campana.