Se a produção cerâmica destinada à construção civil logo se anuncia na paisagem, ao olhar imediato do visitante escapa haver ali uma outra atividade que transforma o barro, dispersa nas oficinas de seus produtores, em geral instaladas no ambiente doméstico. A “louça morena”, como a chamou Cecília Meireles, pode ser encontrada na área urbana ou em diferentes povoados.
Itabaianinha está localizada na região centro-sul do Estado de Sergipe, a 118 km da capital, Aracaju, com aproximadamente 38.000 habitantes divididos entre os cerca de cem povoados da região. É referida sempre como a “Princesa das Montanhas”, como a teria batizado o poeta sergipano João Pereira Barreto, por sua localização entre cadeias de montes.
As louceiras de Poxica modelam mais frequentemente vasilhas arredondadas – passarinhos, caqueiros, pratos e alguidares. Mais recentemente produzem travessas, além de grande variedade de peças introduzidas – lembradas, aprendidas ou inventadas – por dona Valdeci, conhecida por Nem, sejam panelas, xícaras, bules, sopeiras, flores, moringas e tantas mais.
Começaram a aprender crianças ainda, quando, olhando as mães, se distraíam fabricando boizinhos e miniaturas para as brincadeiras. O aprendizado da louça se iniciava com os “passarinhos”, vasilhas pequenas assim chamadas porque nelas se usava deixar água para essas aves coloridas virem beber e se refrescar. À medida que pegavam jeito cresciam as peças, abrindo-as a partir de seu interior e fazendo girar o barro entre as palmas das mãos, como em uma espécie de torno imaginário.
A Exposição Louça morena do povoado de Poxica será aberta dia 16 de dezembro, quinta-feira, às 19h30 e a visitação poderá ser feita de 17 dez 2010 a 18 fev 2011 | de seg a sex, das 10h às 19h