O livro Marcados, de Claudia Andujar, inspira a exposição “Marcados para”, que o Centro da Cultura Judaica exibe em São Paulo.
Com curadoria de Eduardo Brandão, a mostra apresenta o registro do povo Yanomami realizado por Andujar no início dos anos 1980 e reúne quase 90 imagens, além de ampliações especiais, folhas de contatos fotográficos e fichas em que a fotógrafa “marcava” índios vacinados – na época, ela participava, ao lado de dois médicos, de um grupo de trabalho na área de saúde.

A exposição traz, ainda, a bibliografia completa da artista, material multimídia e seleção de desenhos de Yanomamis. A seguir, leia trechos de Marcados em que a autora narra as experiências que a levaram à concepção da obra:
"1944: Aos treze anos tive o primeiro encontro com os ‘marcados para morrer’. Foi na Transilvânia, Hungria, no fim da Segunda Guerra. Meu pai, meus parentes paternos, meus amigos de escola, todos com a estrela de Davi, visível, amarela, costurada na roupa, na altura do peito, para identificá-los como ‘marcados’, para agredi-los, incomodá-los e, posteriormente, deportá-los aos campos de extermínio. Sentia-se no ar que algo terrível estava para acontecer.
(...)
2008: É esse sentimento ambíguo que me leva, sessenta anos mais tarde, a transformar o simples registro dos Yanomami na condição de “gente” — marcada para viver — em obra que questiona o método de rotular seres para fins diversos. Vejo hoje esse trabalho, esforço objetivo de ordenar e identificar uma população sob risco de extinção, como algo na fronteira de uma obra conceitual.”
Sobre a autora
De origem húngara, Claudia Andujar nasceu em 1931, na Suíça. Após a Segunda Guerra Mundial, emigrou para Nova York, onde começou a interessar-se por pintura e fotografia. Estabeleceu residência no Brasil em 1955 e passou a fotografar populações isoladas no litoral do estado de São Paulo. O contato com o antropólogo Darcy Ribeiro levou-a a fotografar uma aldeia da etnia carajá, no rio Xingu, em 1958. Depois, em meio a uma carreira em fotojornalismo, especialmente no período histórico da revista Realidade, estabeleceu contato com os índios Yanomami do estado de Roraima.
Com bolsas de estudos brasileiras e internacionais, passou períodos extensos na companhia desses índios, realizando ensaios fotográficos que constituem, por si, um capítulo na história da fotografia brasileira. Após seu retorno ao sul do país, engajou-se nas lutas da nação Yanomami pela demarcação de sua reserva, que aconteceu finalmente em 1992. A autora participa, frequentemente, de mostras coletivas nas principais capitais do mundo e seus trabalhos integram acervos de instituições como o MoMA.
"MARCADOS PARA", DE Claudia Andujar
Exposição de 16/3 a 12/6 | De terça a sábado, das 12h às 19h; domingos, das 11h às 19h
Centro da Cultura Judaica: Rua Oscar Freire, 2.500 (ao lado da estação Sumaré do Metrô) - São Paulo (SP)
Mais informações: (11) 3065-4333
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Fonte: CosacNaify
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