Bizzotto, Diretor de Ciência e Tecnologia da Secretara Municipal de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico Sustentável da Prefeitura de Florianópolis, SC, Professor, Doutor em Engenharia de Produção, Presidente do Instituto Gene e autor do livro “Plano de Negócios Para Empreendimentos Inovadores” (Ed. Atlas) falou com entusiasmo durante mais de uma hora sobre o que mais gosta: inovação, design e novas tecnologias.
Reunimo-nos para uma conversa que começou com algumas observações sobre a SCDesign, já que Bizzotto é Conselheiro da nova gestão. Foi uma mistura de bate-papo e entrevista, quando falou livremente sobre vários assuntos e expressou suas reflexões, opiniões e previsões.
Durante a entrevista foram abordados primeiramente os temas
inovação, design e estratégia, que estão alinhados com o tripé da Go-to-Idee.
Bizzotto discorreu sobre cada um desses itens com sua visão clara sobre essas ferramentas.
Assim, expôs suas idéias:
1. Inovação
Segundo Bizzotto, atualmente, dentro de nosso contexto, a inovação ainda é um conceito não sintonizado.
Seu trabalho tem se apoiado no conceito de que inovação deve ser uma proposta apropriada pela comunidade, ou seja, a inovação deve ser utilizada pelas pessoas para as quais ela foi desenvolvida. Para facilitar a compreensão, diz que consumir é apropriar um produto, uma idéia ou uma ação proposta.
Continua, observando que as empresas devem estar preparadas para a open innovation, ou inovação aberta, que pressupõe parcerias ilimitadas e conhecimento partilhado, gerando produtos de ponta, a baixo custo, com soluções inovadoras. Esse processo, antes criticado por gerar tecnologia de baixa qualidade, é hoje reconhecido como gerador de novas soluções, proporcionando cultura de inovação e apoiando talentos e jovens empreendedores.
Uma pergunta escapa nesse momento do contexto armado para a entrevista: “O mercado está preparado para esse tipo de solução de inovação aberta?”
Bizzotto acredita que sim. Essa solução abre os horizontes de desenvolvimento criando cada vez mais inteligências e gerando redes de conhecimento.
Inovação e design andam juntos, já que fazem parte de uma cadeia de processos, que vai se juntar à sustentabilidade. Produtos são desenvolvidos para beneficiar o usuário e não o empresário que os fabrica.
O equilíbrio deve contemplar a ambos com ganhos de valor financeiro (para o empresário) e de satisfação (para o usuário).
2. Design
Enquanto a engenharia se preocupa em melhorar o sistema de produção, o design é um componente obrigatório para o desenvolvimento, criando produtos com novos conceitos que os farão desejados e competitivos no mercado.
O design precisa ser encarado como um componente de competitividade dentro do processo de desenvolvimento e não como uma qualidade do produto.
A natureza do design fala a linguagem de outras profissões e contribui com sua visão e entendimento global na busca de soluções inovadoras.
3. Estratégia
Como estratégia, define que é preciso colocar o design no DNA das empresas, fazendo parte do seu planejamento estratégico desde o começo do processo.
No entanto, Bizzotto afirma que esse processo não é trivial.
Cita uma pesquisa realizada entre as empresas consideradas melhores para se trabalhar no Brasil (ranking da revista Exame, da Abril) que determinou que são justamente essas empresas as melhor preparadas para o intra-empreendedorismo. Estando o ambiente de trabalho já preparado para satisfazer os funcionários, estes irão procurar deslanchar novos processos dentro da empresa.
A Natura, por exemplo, precisou de 20 anos para mudar a cultura interna da empresa para que fosse considerada uma das melhores empresas do Brasil para se trabalhar. Espera-se que as outras empresas a entrarem nesse processo levem menos tempo.
É quase como fazer parte do inconsciente coletivo, diz Bizzotto. Cada vez menos tempo será necessário para que se absorva essa cultura dentro das empresas.
Outras perguntas ajudaram a aumentar nosso ângulo de visão sobre os pensamentos de Bizzotto.
“Qual o papel da inovação no desenvolvimento do Estado de Santa Catarina?”
Ele explica que em Florianópolis existem 2 mundos distintos: um da alta tecnologia e preocupação com a sustentabilidade e outro do lazer e turismo. Em ambos, o desenvolvimento é esperado pela junção de valores a um processo de empreendedorismo inovador.
Florianópolis deixou de ser a cidade do funcionalismo público para ser um pólo de alta tecnologia em hardware, software (games, animação, biotecnologia e bioengenharia, trabalhando sempre no limiar do conhecimento, inserindo a inovação já no início do processo de concepção de empresas e produtos.
Por outro lado, existe um outro mundo carente de apoio e de incentivo ao desenvolvimento.
É para esse lado que também estamos voltando nossos esforços, diz Bizzotto e, com certeza, Florianópolis está apontando na direção certa: tecnologia, inovação e preocupação com sustentabilidade.
Florianópolis hoje cria e exporta tecnologia (empresas americanas e chinesas aqui radicadas estão desenvolvendo softwares, além de brasileiras como a Audaces) dentro de novos conceitos de produtos e inovação.
“Quais as perspectivas para o desenvolvimento a partir de 2010?”
Indiscutivelmente estamos entrando na década do design, afirma Bizzotto. Nenhuma empresa pode pensar em se desenvolver sem trabalhar o design internamente, ou terá sérios problemas de competitividade no mercado. Essa é a década do design.
No século passado, foram desenvolvidas as questões ligadas à engenharia de processos. Depois foi possível trabalhar a questão científica para aplicação em processos que levaram à inovação. De agora em diante, não se pode pensar sem a presença do design.
Bizzotto fala em termos nacionais.
Instituições livres vão acontecer nessa década. O processo é lento e precisa de profissionais qualificados, formação e aperfeiçoamento.
Florianópolis, afirma, apostou certo investindo nos talentos e empresas daqui.
Ele cita Richard Florida, para lembrar que é preciso:
- talento (desenvolver talentos)
- tecnologia (conhecimento) e
- tolerância (diversidade de raças e opções sexuais, etc.) para criar novas economias criativas.
“Como um novo presidente pode influenciar o cenário brasileiro de desenvolvimento?”
A Marina provavelmente não será a nova Presidente, mas ela mudou o cenário do país quando avisou que poderia ser candidata a Presidente.
O discurso dos outros candidatos teve que rapidamente ser revisado e assim ela conseguiu fazer com que meio ambiente, sustentabilidade e inovação fizessem parte das plataformas de campanha. A influência que exerceu nos dois principais candidatos foi enorme. Conseguiu colocar o meio ambiente no centro da discussão e não mais a economia. Não que a economia não seja importante, mas a visão social e sustentável da economia ficou inserida.
Bizzoto termina com uma paródia: “Quando alguém chega com uma maçã e outra pessoa com uma laranja, o que elas podem conseguir é trocar laranja por maçã. No entanto, se alguém chegar com uma idéia e outra pessoa com outra idéia, quando eles se separarem, cada um terá DUAS idéias."
Este é o princípio das ações conjuntas e multiplicadoras para gerar novas soluções e enriquecer os processos, finaliza.
É isso aí, Professor! Obrigadíssima pela entrevista!!!!!!
Saímos assim com o nosso balaio cheio de novas idéias.......