Foram anunciados nesta sexta-feira (14) os vencedores do Design Awards 2010, premiação promovida pela revista britânica "Wallpaper" que destaca trabalhos de profissionais das áreas de arquitetura, decoração e design em 66 categorias. No site da publicação você pode conferir a lista dos vencedores.
Na movimentada Avenida Juscelino Kubitscheck, em São Paulo, o Kaá, dos arquitetos brasileiros Arthur Casas e Marcio Kogan, projetado para ser como um oásis para todos os sentidos, levou o título "Best new restaurant" (melhor restaurante novo) de 2010, deixando para trás projetos no Porto (Portugal), Seul, Buenos Aires e Chicago (EUA).
Já Kogan venceu na categoria "Best new private house" (melhor casa nova privativa), com uma residência na Costa Verde, em Paraty, no Rio de Janeiro.
A eleição saiu de um júri composto pelo estilista Jonh Galliano, o cineasta espanhol Pedro Almodóvar, o artista plástico belga Carsten Höller, o CEO da News Corp James Murdoch, a designer de interiores Kelly Wearstler e um dos nomes mais expressivos da arquitetura atual, Steven Holl. O prêmio recebido pelo Kaá soma-se a outros três: o Restaurant Design Award 2009, promovido pelo AIA/LA (American Institute of Architects); Melhor Ambiente 2009, organizado pela revista "Época São Paulo", e Melhor Projeto 2009 na categoria Restaurantes pela revista Arquitetura e Construção.
Em meio à movimentada Avenida Juscelino Kubitschek, a casa dos empresários Paulo Barroso de Barros, Daniel Sahagoff, Paulo Roberto e Paulo Ricardo Kress Moreira, Edson Cerreti e Luis Antonio Almeida, foi idealizada para ser uma espécie de oásis em meio à selva de pedra paulistana. "Quando me chamaram para fazer esse projeto, achei o lugar horrível, estreito e comprido, num ponto da Juscelino de tráfego intenso e uma proporção de terreno muito ruim. Mas acredito que os melhores projetos acabam acontecendo em situações difíceis e extremas, e foi exatamente esse o caso do Kaá", conta Casas.
O projeto de Arthur Casas foi inspirado nas residências abertas e arejadas de localidades como Ibiza, Miami e Algarve e possui três ambientes: um lounge, um bar e o restaurante. Nos 700 metros quadrados do salão de pé-direito alto, o arquiteto incluiu um espelho d’água e um teto retrátil. O jardim vertical executado pela paisagista Gica Mesiara reúne sete mil plantas de espécies típicas da Mata Atlântica, como avencas, begônias, orquídeas e samambaias que cobrem totalmente uma das paredes do restaurante. "Essa foi a primeira coisa que pensei: criar um muro verde para eliminar o contato com a cidade, abafar o som externo e remover as pessoas da avenida", diz o arquiteto.
No centro do salão, emoldurado por uma grande estante decorada com objetos indígenas e livros antigos, Casas instalou o bar. No andar de cima, um lounge com vista para toda o espaço tem isolamento acústico e foi desenhado para receber eventos e comemorações. Na área do restaurante, o teto retrátil traz claridade às mesas na hora do almoço. "Percebi que faltava um lugar com área ao ar livre, mas sem contato com a rua, para comer na região, por isso optei por esse tipo de cobertura e muito verde, trazendo a luz do dia para dentro", descreve.
O arquiteto também foi responsável pela criação dos móveis e pela decoração do ambiente. A ideia era levar aconchego para o amplo espaço com tapetes, luminárias e materiais naturais. "Esse é o ponto principal: criar essa sensação de conforto, pois a rua [do restaurante] não é agradavel, nem arborizada", explica o arquiteto.
Modesto, Arthur Casas duvidava que ganharia o prêmio. Contudo, mais uma vez seu talento foi reconhecido, em mais uma demonstração da qualidade da arquitetura nacional.