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Capas de disco: história do design brasileiro

16/06/2010 | Tags: design gráfico capas+de+disco

Treze capas de disco no formato long-play (os LPs, com 12 centímetros de diâmetro e praticamente extintos no Brasil desde o início dos anos 1990) foram exibidas com pompa de obra de arte e objeto histórico na mostra Elenco - A Cara da Bossa, ocorrida no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. Marcello Montore foi o designer responsável pela curadoria da exposição, que é o resultado de sua tese de doutorado, defendida em 2008.



Mostra e trabalho acadêmico, relata Montore, pretenderam preencher uma lacuna na historiografia do design gráfico brasileiro, relativa aos primórdios da criação de capas de discos. A atividade desde cedo teve desdobramentos em todo o território nacional, dada a rápida expansão do mercado consumidor no período posterior à Segunda Guerra Mundial, e até mesmo precedeu em quase duas décadas a institucionalização da profissão de designer no país - ou seja, o marco instaurador da atividade, nos anos 1950, quando foram criadas as primeiras escolas de design.

Amante da música, o designer escolheu como foco de seu trabalho historiográfico as capas produzidas entre 1963 e 1971 pela Elenco, uma gravadora independente criada no Rio de Janeiro pelo músico e empresário Aloysio de Oliveira (1914-1995). Embora tardias, se considerarmos o início da década de 1940 como o momento em que ilustradores, artistas plásticos e publicitários passaram a conceber o visual de discos de variados gêneros - ainda fabricados com dez polegadas de diâmetro -, tais peças, enfatiza Montore, merecem destaque porque foram inovadoras para a época.



O artista plástico César Villela, primeiro capista da Elenco, teve como grande mérito, segundo Montore, antecipar no produto fonográfico técnicas da fotografia e da tipografia que só posteriormente viriam a ser utilizadas pela indústria gráfica. E, de quebra, ele eternizou a simplicidade visual da bossa nova.

Nas capas de duas cores (preto e vermelho), amplo fundo branco e composição de viés tipográfico criadas nos primeiros anos da Elenco, Villela utilizou, por exemplo, em parceria com o fotógrafo Chico Pereira, recursos como a fotografia em alto-contraste (zonas claras e escuras bem marcadas) e a fotoletra (passagem para o negativo dos tradicionais tipos de madeira ou metálicos). Com eles, as capas das gravações da bossa nova se diferenciaram em relação à profusão de cores e estilos que dominavam o mercado fonográfico na época.

A mostra é perpassada por uma base histórica. No painel de entrada, por exemplo, Montore informa o visitante sobre os principais avanços tecnológicos que transformaram o modo como a música gravada foi disponibilizada ao mercado consumidor, a partir do final do século 19. Desde os cilindros gravados até a atual música digital, os discos já tiveram apenas um ou dois lados gravados, de três minutos a cerca de uma hora de reprodução, foram embalados em envelopes genéricos, feitos com papel kraft, ou em plásticos sem identificação gráfica, assim como tiveram visual artístico, assinado por ilustradores e artistas plásticos. Em comum, tais fases testemunharam sempre a fragilidade da indústria fonográfica frente às inovações tecnológicas, situação atualmente acentuada pela distribuição digital de músicas pela internet.

A exposição Elenco - A Cara da Bossa esteve em cartaz em São Paulo de dezembro de 2009 ao final de fevereiro de 2010 e deverá circular por outras capitais brasileiras.

Fonte: ArcoWEB

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