Haverá um dia em que o som dos carrinhos de ferro sendo encaixados uns nos outros nos supermercados será raro. A chegada dos carrinhos reciclados promete mudar este cenário no mercado brasileiro, mas ainda falta um pouco para se tornar realidade. Entre os grandes varejistas, os grupo Pão de Açúcar e Carrefour já oferecem o produto no Brasil, mesmo diante do alto valor que pode chegar a R$ 100,00 a mais do que os tradicionais feitos de ferro.
Apesar do preço, os carrinhos reciclados estão atingindo novos nichos. A Plascar, uma das poucas empresas produtoras de carrinhos reciclados, já fechou negócios com hospitais e condomínios, além do varejo. Sob a marca Siris, os carrinhos podem ser encontrados em 87 lojas no Brasil, distribuídos por 20 redes supermercadistas diferentes.
De olho neste mercado, surgem novas empresas e nichos. Em fevereiro deste ano, a JJ Carrinhos iniciou uma estratégia de divulgação de seus produtos no Brasil. O planejamento para 2011 é consolidar a marca e expandir a atuação no Mercosul, já que a companhia hoje comercializa no Brasil e também no Paraguai.
Carrinhos reciclados como estratégia
Há mais de dois anos o Pão de Açúcar disponibiliza carrinhos reciclados, sem barulho, leves e coloridos no ponto de venda de Indaiatuba, São Paulo. Além dessa loja, os consumidores encontram também na Vila Clementina e nos shoppings onde a rede está presente. A iniciativa serve para reforçar o posicionamento sustentável sempre em voga na rede de Abílio Diniz.
“Implantamos inicialmente pela coerência com a causa verde e também pela inovação que a marca busca no dia a dia”, diz João Edson Gravata, Diretor da bandeira Pão de Açúcar, em entrevista ao Mundo do Marketing. Mesmo criado a partir de materiais reciclados, as vantagens que os varejistas encontram no carrinho de plástico não estão ligadas a economia.
No Pão de Açúcar, a estratégia é destacar a causa defendida pela rede e aumentar a percepção da consistência da bandeira ao criar novos projetos em prol do meio ambiente. Porém, não são todos os supermercados que podem investir em produtos que chegam a custar até duas vezes o valor dos carrinhos de metal. “Este é o principal fator que ainda dificulta a utilização de carrinhos reciclados no varejo brasileiro”, afirma Gravata.
Nicho e concorrência
Os carrinhos Siris são usados pelo Pão de Açúcar, que importava os produtos antes da empresa entrar em operação no Brasil, em outubro de 2009. A parceria entre as companhias permite a criação em conjunto dos carrinhos a partir de qualquer material reciclado. Por ano, a empresa produz cerca de 84 mil unidades, ou sete mil carrinhos reciclados a cada mês. A região sudeste é a que mais utiliza os carrinhos Siris, mas a entrega é feita em todo o Brasil.
“São Paulo é onde temos a maior concentração de redes utilizando nossos carrinhos. Em Manaus, por exemplo, há clientes que compram para revender”, conta Rita de Sousa, Diretora Executiva Siris, em entrevista ao Mundo do Marketing. A plascar ainda mantém uma linha de móveis além de produzir os carrinhos reciclados e, por isso, a Siris encontrou novos nichos de mercado e hoje comercializa para condomínios e hospitais. “Foi sem querer. Apresentamos nossos produtos em uma feira de móveis, mas o que chamou a atenção foram os carrinhos reciclados”, explica Rita.
Depois que a frota de carrinhos reciclados substituir os tradicionais de ferro as vantagens ficam visíveis. “O material é mais durável que o metal, não enferruja, a manutenção é zero, não desbota e é perfeito para o litoral”, emenda a Diretora. Recém chegada ao mercado, a JJ Carrinhos nasceu em fevereiro deste ano com a meta de produzir 12 mil unidades a cada temporada de olho na demanda do Brasil e do Paraguai, países em que atua.
“O carrimho normal passa por reforma a cada dois anos em um processo que afeta a natureza. Os que são feitos de plástico podem ser lavados. Nos primeiros dois anos, o varejista repõe o investimento por não ter que gastar com esta reforma”, completa Thiago Simon, sócio da JJ Carrinhos, em entrevista ao portal.