Cristiano Buerger assume presidência do Santa Catarina Moda Contemporânea
01/03/2010 | Tags: design gestão SCMC
Diretor da Tecnoblu (umas das empresas catarinenses mais admiradas e respeitadas nacional e internacionalmente na área de moda), o empresário Cristiano Buerger assume agora a presidência do projeto Santa Catarina Moda Contemporânea (SCMC), que está em sua sexta edição.
O SCMC surgiu em 2005 de uma necessidade de empresas catarinenses ligadas à moda e design de interagir mais com as instituições de ensino, buscar formar novos talentos e investir no valor agregado de seus produtos. De lá pra cá foram cinco edições e boa parte dos objetivos atingidos. Hoje, o SCMC trabalha com 15 empresas catarinenses que faturam R$ 3,23 bilhões por ano e geram 30 mil empregos. São oito instituições de ensino envolvidas.
A festa de encerramento da quinta edição, com desfiles dos projetos desenvolvidos dentro das empresas, acontece no dia 20 de março, na Green Valley, em Balneário Camboriú. Cristiano lembra que a casa está concorrendo a melhor club do mundo. “A nossa idéia de unir a moda e o design ao comportamento das pessoas também aparece na escolha do local”, acredita ele.
Cristiano avalia que os maiores ganhos do SCMC e das empresas ligadas ao programa foram as trocas de experiências entre os empresários e a criação de uma nova concepção de Santa Catarina como criadora de produtos, e não apenas um polo produtor. “Mesmo com empresas concorrentes, aprendemos a crescer como setor, a trocar experiências e a crescer em conjunto”, afirma. Entre os alunos envolvidos, além dos dez meses de aprendizado dentro das companhias, o presidente destaca que 80% estão empregados e muitos iniciaram sua carreira empreendedora no programa.
Para 2010 - além do principal projeto dos últimos anos: os programas desenvolvidos com as universidades dentro das empresas -, Cristiano iniciará outras atividades que têm como foco a troca de experiências entre os executivos das companhias participantes e a formação da mão-de-obra já contratada pelo setor. “Queremos resultados práticos para todas as empresas participantes. Ajudá-las a crescer com estabilidade e a entender o comportamento e o desenvolvimento dos seus mercados”, afirma o presidente do SCMC, que diz que o Estado vai ganhar muito com isso. A perspectiva é atingir de 20 a 25 empresas no próximo ano.
SCMC THINKING
Um dos objetivos do SCMC é a união das empresas que trabalham com design e com valor agregado de seus produtos. E, para unir as companhias, nada melhor do que tornar seus representantes aliados. Este é um dos principais objetivos do SCMC Thinking: periodicamente, executivos se reúnem em um local escolhido por um deles para almoçarem juntos e, depois, debater algum tema que o anfitrião deseja.
“Num ambiente de descontração, conseguimos tornar os laços de amizade entre nós mais fortes e ainda discutirmos um tema que pode ser decisivo para uma das companhias”, explica Cristiano, que comenta ainda que o SCMC Thinking já foi realizado na casa de alguns executivos e, por exemplo, num Botequim no centro de Blumenau.
O presidente comenta ainda que nesse tipo de encontro, se pode trocar ideias com empresas experientes no tema que o executivo escolher. “Já tivemos uma discussão sobre lojas próprias, por exemplo, com a participação da Hering e da Marisol, que já atuam nessa área e tem know-how para opinar”, complementa.
SCMC EXPERIENCE
Um dos grandes objetivos do SCMC é a troca de experiências entre as empresas participantes. É esse o foco do projeto SCMC Experience. “Uma empresa visita as outras, vê como funcionam os processos, especialmente na área de criação e design”, explica Cristiano. Também são destaques as trocas de informações sobre modelos e gestão, sistemas de informação e mercado. Deste programa, nascem parcerias e possibilidade de melhorias e crescimento em cada uma das empresas.
SCMC TRIP
Este ano as empresas do SCMC devem realizar a primeira SCMC Trip. No roteiro da viagem, a visita a uma das maiores feiras de comportamento jovem do mundo, na Alemanha, à Zara (uma das maiores redes de lojas do mundo, com sede na Espanha) e ao Instituto Europeu de Design (IED).
VERY IMPORTANT COMPANY (VIC)
Três vezes por ano, as empresas que compõe o SCMC realizarão visitas as empresas que são classificadas como VIC (Very Important Company). A brincadeira com o termo VIP (Very Important People) não é por acaso. “São companhias que são admiradas pelo público e pelo empresariado catarinense, mesmo que não atuem na área de moda”, explica Cristiano.
Ele comenta que o objetivo é mostrar aos empresários os processos adotados nas indústrias e promover um encontro com o presidente. “Essa troca de experiências com outros setores produtivos pode agregar muito aos participantes do SCMC. Sabemos disso”, afirma o presidente.
ALIANÇA COM UNIVERSIDADES E FORMAÇÃO
Um dos projetos que mais destacou o SCMC até hoje foi a aliança entre universidades, alunos e empresas. A cada ano, são formadas equipes de alunos nas instituições que são avaliadas e escolhidas para presenciarem o dia a dia de uma companhia e desenvolver uma coleção. Esta ação continua. “Teremos algumas mudanças no andamento prático do projeto, que vão exigir mais criatividade dos alunos e oportunizar um novo tipo de ação para as empresas”, diz Cristiano, que ainda não pode dar mais detalhes das novidades.
INSPIRAÇÃO EMPREENDEDORA
Além de ter como meta fortalecer o setor têxtil catarinense, o SCMC se propõe a ser um celeiro revelador de talentos. Desde o ano de sua fundação, em 2005, o projeto promoveu 42 palestras (com nomes como Irmãos Campana, Alexandre Herchcovitch, Roberto Stern, Guto Indio da Costa e Ozires Silva) e 25 workshops (como, por exemplo: Fábio Hering e Vicente Donini sobre Varejo e Carlos Ferreirinha sobre O Luxo e o Valor Agregado), que reuniram mais de 18 mil pessoas – a maioria delas jovens estudantes de Moda e Design ou profissionais que já atuam na área, mas que buscam se atualizar constantemente sobre os novos conceitos e tendências da moda. O conteúdo adquirido nesses eventos não só proporciona aos participantes uma oportunidade de crescimento profissional, mas também inspira muitos a investir em um próprio negócio.
É o caso da estilista Josi Alcântara, de Blumenau. Graduada e pós-graduada em Moda pela Furb, ela ingressou no projeto em 2007 através da Cia. Hering, onde fez estágio durante seis meses. Lá, Josi conta que pôde agregar ao conhecimento prático – já tinha experiência de dez anos nas áreas de corte, costura e modelagem – o processo de criação. “Com a participação ativa em todo o processo é possível ter uma melhor visão do mercado”, conta.
Hoje ela mantém um ateliê próprio e desenvolve coleções sob encomenda. O trabalho é voltado ao público feminino. “Nossas peças (veja em www.josialcantaraatelier.elo7.com.br) são ajustadas ao corpo, mas não são vulgares. Elas buscam explorar a feminilidade da mulher”, explica Josi, que ressalta que o uso da estamparia digital garante que cada produto seja exclusivo.
Quem também decidiu caminhar com as próprias pernas foi Aline Cabral Vaz. Ela entrou no projeto pela Hoepcke Bordados, representando o Senai de Blumenau. Já na empresa, participou de um concurso em São Paulo, onde chamou a atenção da Marisol, com quem veio a trabalhar posteriormente.
Ao lado das sócias Andréia Gonçalves e Ana Selma Petermann, atualmente comanda a marca “Aquelas que são elas”, que explora a sensibilidade e a delicadeza femininas. Sobre a participação no SCMC, ela não tem dúvidas: representou uma quebra de barreiras. “O ponto de destaque do projeto é a oportunidade de trocar experiências diretamente com os empresários do setor”, diz.
FUNDAÇÃO DOM CABRAL
Uma parceria com a Fundação Dom Cabral é outra novidade do SCMC. O programa vai debater e configurar junto com a instituição um curso para os gestores das empresas. “Através desse diálogo, poderemos criar módulos que estejam de acordo com a realidade enfrentada pelas empresas. Isso é muito importante para um projeto como o SCMC, que trabalha, acima de tudo, com as pessoas”, diz Cristiano.
PARA PARTICIPAR DO SCMC
Os critérios para que uma empresa seja associada ao SCMC são: ter a maior parte da sua base industrial em Santa Catarina, trabalhar com valor agregado de seus produtos e ter uma marca sólida e admirada pelo público e entre os empresários. Cristiano destaca que não são apenas empresas grandes que podem participar e não só empresas do ramo têxtil.
“Nosso intuito com o SCMC é trabalhar na área de desenvolvimento de produto e de crescimento de valor agregado. Esse interesse e essa perspectiva não dependem de faturamento nem de número de funcionários”, diz o presidente.