Aspirador de pó feito de plástico reciclado, móveis que trocam madeira por bambu ou um carro no estilo aventureiro totalmente movido por baterias. Os gênios por trás de criações como essas – que, cada uma a sua maneira, prometem simplificar nossas vidas – são os designers.
Eletrodomésticos, móveis e automóveis que no seu desenho já mostram preocupações ambientais estão conquistando o mercado. E, para especialistas, é do designer a responsabilidade de entender a necessidade que as empresas têm de inovar e demonstrar isso no seu trabalho. “Ter um design sustentável hoje já é um pressuposto, não dá para criar nada hoje em dia sem levar isso em conta”, comenta Joice Leal, autora do livro Um Olhar sobre o Design Brasileiro e diretora da ONG Objeto Brasil.
Para ela, os designers brasileiros saem na frente ao incorporarem nesse conceito novos materiais. Madeiras de reflorestamento, plástico reciclado ou biodegradável são alguns deles. O professor de Design de Produtos do Centro Universitário Belas Artes, Sidney Rufca, destaca ainda pesquisas realizadas no Brasil que testam materiais como casca de abacaxi ou escama de peixe para serem usados em roupas, joias e calçados. O trabalho tem de ser complementado com um desenho que chame atenção visualmente e conquiste o consumidor.
O desafio
William Bullock, professor de desenho industrial da Faculdade de Arte e Design de Illinois destaca em conversa por e-mail com este blog que o desafio dos designers de hoje se resume numa palavra só: economia. “É preciso criar produtos significativos que são usados permanentemente e sem desperdício”, arremata.
Para ele, garantir que o produto seja sustentável também é essencial. Menos desperdício de materiais, reutilização e, claro, um produto final que consuma menos recursos são as chaves. “Todos os acionistas, engenheiros, designers, fabricantes e fornecedores têm a responsabilidade de criar o produto mais eficiente do ponto de vista energético e menos poluente”.
Como inovar
O trabalho do designer nada tem a ver com artesanato ou invenção aleatória, lembra Joice. É preciso compreender o que são as necessidades da empresa e de seus clientes para que a criatividade dê origem a uma boa solução. O professor Rufca afirma que em muitos casos cabe ao designer sugerir opções mais inovadoras e sustentáveis. “Pode ser que não seja uma preocupação do produtor no momento, mas podemos mostrar que isso tornará o produto mais competitivo”, diz otimista.
“Algumas das melhores ideias já foram repetidamente rejeitadas, ironicamente pela mesma razão que se tornaram um sucesso: elas eram novas e diferentes”, alerta o professor Bullock. Ele conclui dando uma inspiração para os criadores: “elimine o conceito de velho”, insta. “Qualquer um pode ter uma boa ideia, mas tem que haver boa vontade e desejo de inovar para experimentar algo novo”.
Exemplos inovadores
O leitor pode ter ficado curioso com as opções que mostramos no início do texto. Os produtos citados são criações que já existem, alguns deles premiados pela excelência no design. Conheça melhor:
Aspirador de plástico reciclado: Essa criação da Eletrolux surpreende pelo desenho chamativo, de muitas cores. Cerca de 70% do material usado, porém, é plástico retirado de oceanos e cada modelo de aspirador foi feito para representar um mar diferente.
A sustentabilidade na 3M: A 3M conta com vários produtos pensados de forma sustentável e um deles é a película Vikuiti, que pode ser aplicada em telas de LCD garantindo uma economia de energia de 3,5 kilowatts por ano.
O carro aventureiro e ecológico: Com um desenho que lembra os Bugs feitos para se andar na areia, o Fiat Concept Car II não emite gases poluentes: é movido apenas por baterias, que podem ser recarregadas em tomadas comuns.
Móveis sem madeira: Essa é a proposta da Oré Brasil, que usa o Bambu como sua principal matéria prima para criação de móveis de desenho arrojado. Uma mesa da marca foi vencedora do prêmio IDEA Brasil de melhor design, assim como foi o carro FCC II, da Fiat.