Dia do Designer: saiba mais sobre Aloísio Magalhães, pioneiro da profissão
05/11/2010 | Tags: design gestão
Neste 5 de novembro, aniversário de Aloísio Magalhães, comemoramos muito mais que a crescente valorização da profissão responsável por dar vida a "traços" feitos, planejadamente ou não.
Traços que não são feitos a esmo, que precisam ser planejados, calculados, testados, percebidos, Sentidos!
Mais que buscar a fórmula para criar formas de chamar a atenção do público alvo, o design, fazer do designer, é uma ferramenta de fazer o cotidiano, o trivial, ser mais estético. Mais não é só de estética que vive o design: sua práxis envolve a função, o meio, o antes, o durante e o depois dos produtos e lay-outs criados.
Envolve comunicação: comunicar através do visual, da estética, da escolha de que material usar, da aglutinação equilibrada de várias disciplinas que, sozinhas, não dão conta de ser design.
Aloísio Magalhães, Brasileiro, Pernambucano, Designer Gráfico, um dos pioneiros do design brasileiro, ajudou a fundar a primeira escola superior de Desenho Industrial do Brasil, a Esdi (Escola Superior de Desenho Industrial do Rio de Janeiro).
Foi o responsável pelo design ser reconhecido como patrimônio intelectual da sociedade através de sua práxis cotidiana com a criação da identidade de empresas brasileiras como o Unibanco, Banco Boavista, Petrobrás, Light (companhia que distribui energia elétrica na cidade do Rio de Janeiro) além de ter criado o lay-out da cédula do Cruzeiro, dinheiro utilizado no Brasil durante parte da década de 1980.
Além de designer, foi artista plástico e secretário geral do Ministério da Educação e da Cultura (MEC). Foi diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e esteve sempre ligado a questões próprias da cultura brasileira. Fundou em 1960 o escritório M+N+P em conjunto com Luiz Fernando Noronha e Artur Lício Pontual, posteriormente se transformando na atual PVDI - Programação Visual Desenho Industrial. Ao lado dos novos sócios Joaquim Redig e Rafael Rodrigues, projetou a identidade visual da Petrobrás e do IV Centenário do Rio de Janeiro.
Em 1965, foi responsável pela criação da primeira logomarca da TV Globo, uma estrela de quatro pontas. Foi responsável pelo projeto gráfico das notas do Cruzeiro Novo (moeda adotada no país a partir de 1966). Foi também membro fundador d'O Gráfico Amador, uma private press que, através de suas experiências tipográficas, teve influência significativa sobre o moderno design gráfico brasileiro.
A simplicidade bem elaborada dos projetos de Aloisio de Magalhães permitem-nos ter acesso ao design, através de objetos corriqueiros do dia a dia, muito antes de compreendê-lo. Isso é design. Simples e abrangente.
Aloisio faleceu em Pádua, Itália em 1982, quando tomava posse como presidente da Reunião de Ministros da Cultura dos Países Latinos. Após sua morte foi editado o livro E triunfo?, registrando seu pensamento e sua ação à frente dos organismos federais de cultura.
A nós, designers do dia a dia, resta a tarefa diária de fazer, através das atuais ferramentas de que dispomos, com que a busca pela simplicidade no turbilhão de informações com as quais temos que lidar seja alcançada através da comunicação clara e eficaz.
Para ter mais informações sobre Aloísio Magalhães, assista primeiro a este vídeo. Depois continue sua jornada e assista a este também.
A seguir, confira algumas referências bibliográficas sobre sua obra e o design brasileiro.
MAGALHÃES, Aloísio, A Herança do Olhar: O Design de Aloísio Magalhães, Rio de Janeiro: SENAC RIO, 2003. (Organizado por João de Souza Leite com ensaios de vários autores)
LIMA, Guilherme Cunha; O Gráfico Amador: as origens da moderna tipografia brasileira, Edit.UFRJ, Rio de Janeiro, 1997
STOLARSKI, André (org.); Alexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil; São Paulo: Cosac e Naify, 2005; ISBN 8575034480