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Empresas investem pouco em inovação para a classe C

01/07/2010 | Tags: inovação design estratégia

Os estudiosos do consumo identificaram que empresas interessadas em conquistar o consumidor de baixa renda adotam quatro tipos diferentes de estratégia. A mais comum é criar versões mais baratas do mesmo produto, normalmente com mudanças no tamanho da embalagem. A menos adotada, mas considerada a mais importante, é a criação de produtos e serviços específicos para quem tem menos dinheiro.



Segundo Haroldo Torres, sócio da consultoria CDE, especializada em consumidores de baixa renda, a relutância em inovar tem razões culturais e financeiras. “Criar algo pressupõe aceitar que padrões bem-sucedidos podem não servir no futuro”, diz Torres. “Também exige mudar a cultura de trabalho, a gestão e a até a composição da equipe. Para ele, ações como essas demandam tempo e, acima de tudo, dinheiro, sem que o investidor tenha garantias de retorno. “Poucos homens de negócio têm coragem de reconhecer erros ou assumir os riscos de mudanças que podem levar a perdas financeiras”, afirma.

Veja abaixo as estratégias mais comuns para conquistar a classe C e exemplos de empresas que decidiram adotá-las.

1) Vender mais, do mesmo, por menos
É a estratégia mais fácil e mais comum. A empresa acredita que os mais pobres almejam os mesmos bens dos mais ricos e lhe oferece os mesmos produtos em versões mais acessíveis.

Exemplo:
a nova linha de sucos de frutas Dell Valle Mais, da Coca-Cola. Pode ser encontrada na embalagem em 750 ml, a um preço médio 25% menor que a versão original, de um litro


2) Repaginar produtos tradicionais
A empresa faz ajustes em seu produto ou modelo de negócio para aproximá-lo do consumidor de classe C. É a estratégia predominante no setor de serviços, principalmente entre bancos e supermercados

Exemplo:
a rede Todo Dia, do Walmart. Com 77 unidades de porte médio, tem instalações mais simples e localizadas nas periferias. Oferecem alimentos, produtos eletrônicos e brinquedos com preços de 5% a 25% menores que o da concorrência e do próprio Walmart.


3) Apostar na inovação
A empresa decide criar produtos e serviços sob medida para as necessidades das classes emergentes. Poucas empresas aceitaram o risco de investir nessa estratégia, apesar de ser uma das mais indicadas.

Exemplo:
a estratégia global da Nestlé que busca atender 2,8 bilhões de pessoas que vivem com menos de US$ 10 por dia. Uma das ações é desenvolver alimentos com nutrientes específicos para países emergentes. No Brasil, uma das iniciativas mais recente foi o lançamento do Ninho com cereal, com fortificantes apropriados para suprir as carências alimentares de crianças nas regiões Norte e Nordeste. Outra ação foi adoção do modelo de vendas porta-à-porta, entregue a uma rede de microempreendedores.


4) Investir no bem estar do consumidor

É a estratégia mais rara. Normalmente baseia-se em campanhas promocionais que buscam aperfeiçoar a qualidade de vida e o conhecimento dos consumidores. A divulgação da marca e a venda dos produtos ficam em segundo plano e ocorrem por associação indireta.

Exemplo:
a campanha de prevenção do câncer de mama realizado pela Avon no mundo, concebida para fortalecer a idéia de que a empresa não quer só vender seus produtos, mas também participar da vida das clientes e oferecer soluções para seus problemas.

Fonte: Total Móveis

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