A mais antiga universidade de tecnologia dos Estados Unidos, fundada em 1824, abriga agora a sede de um ambicioso e inovador programa de integração entre as artes tradicionais e as pesquisas direcionadas para mídias novas e experimentais. O edifício do Centro de Mídia Experimental e Artes Dramáticas e Musicais (Empac), instalado no campus do Instituto Politécnico Rensselaer, foi projetado para receber a comunidade acadêmica, públicos regionais e grupos artísticos internacionais. Para isso incorpora, sob uma caixa de vidro, volumes desenhados para sala de concertos, teatro, estúdios de artistas residentes, salas de produção de audiovisuais e instalações para o público e para estudantes.
O programa propôs uma questão: como conciliar, em um mesmo edifício, a perenidade das artes dramáticas e musicais com o caráter transitório da mídia experimental? O arquiteto Nicholas Grimshaw tomou como um dos pontos de partida do projeto as câmaras acústicas dos instrumentos de cordas, a partir da ideia de que a tradição e a experimentação estão ligadas pela invariável mecânica do som e, apesar de tão distintas, podem ser vistas como elementos unidos. Assim, Grimshaw colocou a sala de concertos e o átrio no eixo da entrada principal, em continuidade linear a partir da face norte do edifício, enquanto os estúdios e o teatro formam uma sequência adjacente ao sul.
Topografia
Tirando partido do declive do terreno, o desenho resolve uma das mais persistentes condicionantes dos projetos para edifícios de artes dramáticas e musicais: dissimular o volume maciço e sem aberturas de uma sala ampla e do urdimento. Esse aproveitamento da topografia também abre a vista para a cidade de Troy, além do Rio Hudson, tanto a partir do acesso do campus quanto da maioria dos espaços para visitantes dentro do edifício. Como a entrada principal está na cota do topo do morro, próximo do teto, e o bloco da sala de concertos encaixa-se no declive abaixo, abre-se um espaço de grande impacto entre eles.
Assim que adentram o edifício, os visitantes encontram-se no topo do átrio e da circulação principal e, olhando para baixo, avistam o volume curvo da sala de concertos, revestido com placas de cedro. O acesso ao auditório é por passarelas elevadas que se estendem como pranchas náuticas. A fachada norte é um pano de vidro, cuja transparência integra o interior do Empac ao entorno e permite que a luz do dia se espalhe pelo átrio. Uma claraboia no coroamento do prédio permite que a luz natural se projete na parede externa, revestida de cedro, da sala de concertos. À noite, essa parede recebe iluminação de dentro do edifício e se torna um ícone que identifica o centro de artes, visível a distância.
Teto inovador
A sala de concertos foi desenhada para abrigar desde espetáculos de música sinfônica e jazz até apresentações de cinema e dança, com som gerado eletronicamente e projeção de vídeos. Ela tem configuração tradicional, como uma longa e estreita sala feita de madeira e alvenaria, mas com formato ligeiramente convexo, para favorecer a difusão do som. O item mais inovador desse espaço é o teto, no qual painéis de tecido com espessura inferior a um milímetro são sustentados por uma delicada teia de cabos de aço inoxidável. Criado especialmente para a edificação, o tecido tem trama otimizada para gerar suave reflexão dos sons de alta frequência e dar crescente transparência aos sons de média e baixa frequências, oferecendo suporte acústico para os músicos e para a plateia e, ao mesmo tempo, permitindo a reverberação. Esses painéis compõem um elemento convexo de um lado a outro do ambiente e, quando iluminados, exibem superfície ligeiramente brilhante.
O teatro recebeu tratamento ligeiramente menos formal que o dispensado à sala de concertos, de forma que sua presença arquitetural se atenua quando se acendem as luzes do palco. Este possui 40 x 80 metros e urdimento completo de 70 metros, com cabos controlados por computador. Equipamentos de alto padrão atendem às companhias de teatro profissionais e oferecem recursos extraordinários para artistas experimentais do Rensselaer e para os estudantes de artes cênicas. Já os dois estúdios se contrapõem. O primeiro é uma autêntica caixa preta, com o mínimo de acabamento arquitetônico, adequado para áudio e música, mas otimizado também para visualização científica, performances com múltiplas imagens e dança. A sensação de espaço físico limitado pode praticamente desaparecer com a projeção de vídeos em todos os lados, sob um teto de 40 metros no qual uma grelha teatral visitável, no alto, estende-se por toda a extensão da sala. O segundo estúdio, concebido para dança e apresentações visuais, pode receber também de forma adequada recitais de música e gravações.
Ao contrário da caixa preta, sua concepção arquitetônica tende para as luzes acesas. Nas paredes foram instalados painéis de difusão acústica ajustáveis na cor marfim e grelha metálica no teto. Os espaços podem ser usados simultaneamente e estão conectados com as áreas de produção e pós-produção, aptas a receber e retransmitir sons e imagens de qualquer parte do edifício. Para que isso aconteça sem interferência acústica, os principais ambientes foram implantados em cascata no lote e construídos com fundações individualizadas, superestruturas complexas independentes e isolamento acústico de elevada tecnologia.