Acostumado a levar “caldos” durante as seções de surf, esporte que pratica desde a infância, o fotógrafo australiano Mark Tipple decidiu registrar as impressões de quem via as ondas por um ângulo diferente. Assim, equipado com uma câmera adaptada de 5 kg, ele mergulhou nas águas de Sidney e registrou a força do mar de forma surpreendente.
Segundo o fotógrafo, a ideia do projeto surgiu quando ele se viu cansado das fotografias tradicionais de surfe. “Eu sempre fiquei intrigado com o que acontecia debaixo da superfície, onde ninguém podia ver”, afirma.
Assim, ele percorreu as praias locais em busca de modelos dispostos a encarar as ondas por uma boa imagem. “A maioria das pessoas que eu fotografei estavam apenas se divertindo na praia e eu perguntei se eles se importariam em aparecer em algumas fotos”, conta.
Ele lembra que os modelos não tiveram grandes problemas em enfrentar os caldos – ao contrário dele. “Eu sofria mais que as pessoas que estavam sendo fotografadas, já que eu ficava em uma faixa lateral, mais preocupado com a posição deles do que com a onda, que muitas vezes me pegava de jeito”, diz.
Aos 29 anos, ele realizou um sonho antigo, que vinha da época em que surfava com uma câmera presa no capacete. “Eu surfava com uma câmera para filmar embaixo d’água, enquanto era arrastado pelo mar. Eu fiz algumas boas imagens, mas ainda não era exatamente o que eu queria”.
Após testar diversas câmeras e técnicas para fotografar em meio ao do turbilhão de água, Tipple finalmente chegou ao resultado esperado. “Eu acho que consegui transformar uma simples ideia de ver o que acontece debaixo d’água durante uma onda em um retrato da forma como as pessoas se adaptam durante o mergulho”.