Fusão verde: o primeiro híbrido completo do Brasil
23/10/2010 | Tags: design produto veiculo hibrido
O Fusion Full Hybrid chegará ao Brasil, importado do México, a partir de Novembro/2010, por 133.900 reais. Será o primeiro híbrido completo do mercado brasileiro.
O inventor americano Henry Ford (1863-1947) soube dirigir como ninguém os rumos da industrialização dos Estados Unidos no início do século XX. Um de seus passatempos consistia em buscar novas fontes de energia para aprimorar a eficiência de seus veículos. Naquela época, Ford já previra que motores a combustão teriam vida curta. Foi necessário mais de um século para que a montadora que leva seu sobrenome pudesse dar continuidade a seus planos. Nos Estados Unidos, a maior aposta da Ford nessa direção veio em 2008 com o lançamento do Ford Fusion Full Hybrid, a versão do sedã médio que combina o motor convencional a outro movido a eletricidade. O carro ganhou boa acolhida. Contribuíram para seu sucesso os incentivos do governo americano, que concedeu descontos de até 3,4 mil dólares a quem quisesse comprá-lo.
Antes dele ser mostrado pela primeira vez no Salão do Automóvel de São Paulo, que será aberto ao público no próximo dia 27 de outubro, VEJA testou o carro.
A primeira surpresa ao dirigir o híbrido da Ford se dá na hora da partida. Ao ligar o carro, o motorista não ouve o ronco do motor. Isso ocorre porque o sistema elétrico funciona como fonte exclusiva de tração. Como não há queima de combustível, o ruído do acionamento do motor é praticamente imperceptível. Essa é a grande diferença do Ford Fusion Full Hybrid frente a seu único concorrente no mercado brasileiro, o Mercedes Classe S 400 Hybrid, vendido aqui por 426 mil reais desde abril passado.
Os dois veículos utilizam um princípio comum entre os híbridos: aproveitam a energia das frenagens, que seria dissipada em forma de calor, para alimentar o motor elétrico. Na temporada de 2009 da Fórmula 1 algumas escuderias usaram esse mesmo sistema, batizado de Kers, sigla em inglês para Sistema de Recuperação de Energia Cinética. Mas cada um dos modelos trabalha de forma diferente. No Classe S 400, o motor elétrico é complementar. No caso do híbrido da Ford, a energia depreendida da bateria de 65 quilos localizada no banco traseiro dos passageiros pode, sozinha, movimentar o carro. Em condições ideais, o Ford Fusion Full Hybrid atingiria uma velocidade de 75 km/h movido apenas a eletricidade.
Um dos resultados práticos da combinação entre o motor convencional e o elétrico – cuja escolha é feita de forma automática pelo carro - é a economia de combustível. Pesando 1,7 tonelada, o híbrido da Ford chega a rodar 16,4 km/l na cidade, autonomia superior a do compacto de entrada da mesma montadora, o Ford Ka. Também emite menos poluentes. “Como o ar absorvido pelo carro retorna à atmosfera filtrado, nosso híbrido acaba por contribuir com o meio ambiente”, afirmou o gerente de engenharia de veículos da Ford, Klaus Mello.
O veículo conta ainda com uma série de dispositivos para tornar a experiência de sentar-se ao volante ecologicamente mais correta. No canto direito do painel, por exemplo, a Ford criou uma árvore digital que perde folhas à medida que o motorista assume uma direção mais agressiva e, portanto, mais beberrona. Nos Estados Unidos, o Ford Fusion Full Hybrid foi laureado na última edição do Salão de Detroit, em janeiro passado, com o título do Carro do Ano. No Brasil, o modelo movido a gasolina é líder de vendas no segmento dos sedãs de alto luxo. Resta saber se a versão híbrida cairá nas graças do público brasileiro.