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História em quadrinhos em três dimensões

15/12/2009 | Tags: design arquitetura

Projetado por Christian de Portzamparc, o Museu Hergé foi construído em uma pequena cidade da Bélgica. A inspiração nasceu das histórias protagonizadas pelo jornalista e herói Tintim, recontadas em três dimensões a partir de cenários esculturais e independentes entre si.



O prédio, um volume prismático que parece levitar sobre o bosque, é marcado por grandes recortes nas fachadas. Tal como as molduras dos quadrinhos, eles revelam de forma fragmentada um mundo mágico de aventuras.

As festividades pelos 80 anos do personagem Tintim foram além de exposições e reedições dos álbuns de Hergé, o criador do jovem repórter e herói dos quadrinhos que se aventurou pelos mais remotos cantos do planeta e conheceu até mesmo a Lua muito antes de Neil Armstrong.

O ponto alto das comemorações foi a inauguração do Museu Hergé, em Louvain-la-Neuve, a 30 quilômetros de Bruxelas. O autor do projeto, Christian de Portzamparc, desde criança é fã entusiasmado das aventuras de Tintim. “O visitante não deveria se sentir entrando num museu, mas no universo de Hergé, com toda a sua diversidade, densidade e multiplicidade”, diz o arquiteto.


O hall articula os volumes internos

O prédio parece suspenso sobre o terreno de topografia irregular
Louvain-la-Neuve é uma localidade construída sobre um grande bolsão de estacionamentos subterrâneos e se desenvolveu ao redor de um campus universitário. A área reservada ao museu situa-se junto de um bosque, já fora dos limites urbanos. No terreno de topografia irregular, o edifício parece flutuar sobre o lote. A conexão entre a cidade e o museu se faz por meio de uma ponte, deque de madeira que simboliza o portal de acesso para a aventura. O conjunto faz alusão a um navio futurista ancorado em meio ao verde. “O distanciamento, a extraterritorialidade, é o que dá essa ideia de levitação. Tem um pouco da imagem do grande barco que Fitzcarraldo içou na floresta amazônica”, afirma Portzamparc, fazendo referência ao filme do cineasta alemão Werner Herzog.




Detalhe da fachada

A edificação pode ser definida como um prisma simples, alongado, distribuído em térreo e mais dois pavimentos. Externamente, caracteriza-se pelos recortes que remetem aos quadros dos gibis, como molduras fragmentando o colorido interior do prédio. Seus quatro volumes internos, ou objetos paisagens, abrigam as áreas de exposição e representam extratos de cenários de algumas das aventuras de Tintim. A cenografia estabelece uma divisão volumétrica que rompe com a sequência da narrativa natural, formando uma espécie de labirinto, assim como os espaços presentes no universo de Hergé. Cada um deles tem sua própria forma, cor e grafismos, configurando elementos esculturais autônomos, porém interligados por sinuosas passarelas metálicas de diferentes extensões.

Todos os elementos remetem aos cenários das aventuras de Tintim.


Croqui



As grandes aberturas da fachada deixam que os interiores sejam invadidos pela luminosidade natural e pelo verde do entorno, incorporados como parte dos cenários. A caixa do elevador está abrigada no quinto volume, concebido como uma espécie de gaiola misteriosa.

O Museu Hergé é um espaço dinâmico, que, devido à fragilidade do material exibido, substitui as peças a cada quatro meses. São cerca de 900 desenhos e pranchas originais, objetos pessoais, documentos e fotografias. O percurso expositivo, que começa no segundo andar e encerra-se na sala de mostras temporárias do térreo, apresenta a trajetória de Hergé, suas múltiplas criações, seus personagens. No térreo ficam restaurante e biblioteca.

A sociedade La Croix de l’Aigle, responsável pela construção do museu, pretendia inicialmente implantá-lo em Bruxelas e inaugurá-lo em maio de 2007, ano em que se comemoraria o centenário do nascimento de Hergé. No entanto, a falta de acordo com a administração pública sobre o melhor local para a edificação acabou levando a casa de Tintim para a pequena cidade e atrasando o início das obras.

Fonte: ArcoWeb

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