Sérgio Rodrigues passou a ser visto como referência do design quando, em 1958, criou sua primeira cadeira que tornou-se destaque: a poltrona Mole.
Em 1962 decidiu divulgar o móvel como obra de arte, e chamou os amigos (Lúcio Costa, Sérgio Bernardes, Arthur Lício Pontual, Marcos Vasconcelos e Bernardo Figueiredo) para lançar a eles um desafio: “Façam móveis!”
Para não criar atrito com os amigos, criou uma cadeira em tom de brincadeira, utilizando o couro como acabamento para mostrar a versatilidade deste material como acabamento. O longo encosto da cabeça, inspirado nos chifres dos alces, foi característica tão marcante que, durante a exposição do desafio, a cadeira foi informalmente batizada pelos amigos de “Chifruda”.
A cadeira, que de despretensiosa tornou-se um sucesso, foi relançada no espaço de Nova York especializado em design brasileiro, a loja Espasso.
O relançamento foi um presente antecipado para Sérgio Rodrigues, que fez 82 anos junto com a chegada da primavera. “Nasci no dia que marca o início da primavera. Tenho primaveras completas”, disse ele.
Além disso, o ano de 2009 marca as comemorações de 65 anos de carreira de Sérgio, que comemorou a data assinando um contrato com a alemã Classicon, que desde o início do ano vende seus móveis para Europa, Ásia e Oceania.
O arquiteto, que sempre tratou os móveis como obras de arte e só usava madeiras nobres, atualmente usa uma variedade do eucalipto, madeira certificada. E faz uma confissão: “Eu me sinto o assassino da madeira brasileira”.
Designer intuitivo, como ele mesmo se descreve, começou a carreira na marcenaria de um tio-avô. Desde então fez experiências com móveis em estruturas metálicas, como as cadeiras desenhadas para o Palácio do Planalto mas voltou a trabalhar com madeira e com o que mais o encanta neste material: a possibilidade de criar móveis com encaixe.