De sobrado comum a acolhedora livraria - essa é, em resumo, a história recente da construção localizada na junção da rua Tabapuã com a travessa Alex Vallauri, no Itaim Bibi, zona sul de São Paulo. Ali funciona, desde o início do ano passado, a Capítulo 4. A transformação, a partir de projeto do escritório Teuba Arquitetura e Urbanismo, promove a interação entre os interiores e a área externa, e é um exemplo de gentileza urbana.
O prólogo da Capítulo 4 teve início há cerca de três anos, quando a filha do publicitário Luciano Cardoso Soares lhe falou sobre a disposição de ter seu próprio negócio. Luciana Soares conseguiu do pai não só apoio, mas também um sócio. A ideia de abrir uma livraria já seduzia ambos e acabou se consolidando. Por indicação de um amigo, um personagem que se incorporou a essa trama foi Aldo Bocchini, contratado para assessorar na implantação do empreendimento. Experiente livreiro, Bocchini é fundador e foi sócio da Livraria da Vila, rede que teve sua primeira unidade implantada na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, há 25 anos, a partir de projeto de Christina de Castro Mello e Rita Vaz, sócias no estúdio Teuba. Ele apresentou as arquitetas aos Soares.
Quando entra em cena a edificação da Tabapuã - uma antiga oficina mecânica -, Christina já tem a tarefa de referendar o local. Entre as premissas do projeto, detalha a arquiteta, estavam a constituição de um volume cúbico, que facilitaria a exposição, e a necessidade de conexão interna entre os dois pisos do imóvel. As autoras pretendiam também favorecer a interação entre a área interna e o exterior, tornando a livraria uma extensão da rua - abordagem estimulada pela viela lateral.
Essa intenção revela-se sobretudo na face da edificação aberta para a travessa. Ali, painéis envidraçados delimitam interior/exterior, deixando entrar a luz (a vegetação atua como um brise natural), e a varanda amplia a área de estar. A empena de cor intensa na esquina das vias destaca-se a distância, pelo contraste com os tons mais claros do resto do volume. A estrutura metálica inserida no interior sustenta a escada e amplia o pavimento inferior para a lateral.
Internamente, o arranjo é fluido e integra visualmente os dois pavimentos - de qualquer ponto, avista-se toda a livraria. No perímetro do espaço estão as estantes fixas de madeira, cuja forma em L, de acordo com Christina, busca facilitar a leitura sem que as pessoas precisem agachar-se. No térreo, as peças distribuídas pelo salão de vendas têm rodízios, podendo ser facilmente deslocadas para a realização de eventos. À direita da entrada principal funciona uma papelaria e na lateral esquerda, uma agência de viagens; ao fundo está o café.
O pavimento superior, onde estão as publicações infantis, mantém a mesma estética, uma forma, segundo Christina, de estimular as crianças a transitar com desenvoltura de uma área para outra. Nesse andar ficam também os espaços administrativos.
Os materiais especificados pelas autoras são debaixo custo e fácil manutenção: o piso do pavimento inferior é de cimento e o forro do tipo colmeia é em madeira (pinho). A iluminação de tom amarelado varre as publicações sem provocar sombras.