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Memorial da Imigração Japonesa no Brasil, em Belo Horizonte (MG)

03/11/2009 | Tags: arquitetura

Parceiros na concepção do Parque Ecológico Promotor Francisco Lins do Rego - em conjunto com Álvaro Hardy, o Veveco -, Gustavo Penna e Mariza Machado Coelho repetiram o dueto no projeto do Memorial da Imigração Japonesa no Brasil, inaugurado em maio de 2009, naquele parque, que fica na região da Pampulha, em Belo Horizonte. Paulo Pederneiras, diretor artístico da companhia de dança Grupo Corpo, associou-se a eles e trouxe ainda mais plasticidade à intervenção.

A proposta da Usiminas de implantar o memorial em meio a uma área verde levou em consideração a ligação atávica da cultura japonesa com a jardinagem e o paisagismo. E a escolha do parque ecológico foi reforçada pelo fato de este ter sido projetado pela mesma dupla de arquitetos que a empresa contratara para desenhar o Memorial, conta Mariza.

O desenho singelo, quase mimético, mas de grande força expressiva, contemplou as exigências de órgãos ambientais e do patrimônio, que permitem apenas intervenções de pequeno porte tanto no local como nos arredores da Pampulha. “A forma surgiu como um gesto, um espaço limpo, sem arestas”, explica a autora.

A relevância do conjunto não está, de fato, na sua dimensão física - pouco mais de 500 metros quadrados de área construída -, mas no desenho simbólico que a dupla criou para sintetizar essa aproximação. Separados por oceanos, Brasil e Japão comunicam-se através de um pavilhão-ponte que transpõe metaforicamente essa distância. “O museu a céu aberto celebra a amizade entre japoneses e mineiros e o que essa relação foi capaz de construir de concreto e de imaterial”, pondera Penna.

A grosso modo, na planta, o monumento se assemelha a uma hélice: é composto por duas rampas curvas que começam em margens opostas do espelho d’água e se conectam em pontos diferentes da construção circular. “O percurso parte do Japão simbólico, das cerejeiras, para a Minas dos ipês-brancos”, explica Penna, reforçando o papel do paisagismo.

Figuras alusivas às bandeiras do Japão (o círculo) e de Minas (o triângulo), ambas vermelhas, contrastam com a alvura dos muros próximos das rampas. “A forma da ponte simétrica e com curvas que se entrelaçam evoca ao mesmo tempo coesão, movimento contínuo e interdependência, e gera um percurso museológico de recursos multimídia e linguagem acessível”, discorre Penna.

Responsável pela concepção cenográfica do interior do memorial, Paulo Pederneiras explica que procurou produzir um espaço sensorial. A cor vermelha, presente em ambas as bandeiras, foi escolhida também, segundo ele, por sua associação, na cultura japonesa, aos ritos de passagem - o nascimento, o casamento e a morte.

“O vazio ali existente é representativo na civilização japonesa”, acrescenta Pederneiras. Ele procurou imprimir ao espaço o caráter de templo e de reverência: os visitantes devem retirar seus calçados para entrar no local, onde as almofadas em forma de vitória-régia indicam tratar-se de de um ambiente de descanso, contemplação e reflexão. A forma circular escolhida é, simultaneamente, a mais simples e a de mais complexa obtenção, completa Pederneiras.

O uso do aço como material do memorial de certa forma interpreta o significado da comunidade japonesa em Minas. Embora pouco significativa numericamente, ela tem muito a ver com a capacitação tecnológica daquele estado, sobretudo no que se refere à siderurgia.

Fonte: ArcoWEB

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