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Sustentáveis com sotaque carioca

24/11/2009 | Tags: design produto

O BIOplac é um composto que utiliza recursos não-madeireiros com base na biodiversidade brasileira. É formado por sete camadas - entre elas bambu, juta, malva e curauá com propileno reciclado – unidas com adesivo de base vegetal. As camadas externas são feitas com Laminado de Pupunha, que utiliza resíduos da agroindústria do palmito sustentável.



É resultado de avanços tecnológicos do Compensado de Pupunha, que já havia sido vencedor do iF Gold Material Award 2005, e que novamente arrebatou o prêmio em 2008 nas categorias Materiais e Processo.


Painel laminado composto por resina vegetal e fibras de bananeira, provenientes de resíduos da agroindústria da banana. Material produzido a partir do refugo do cultivo de banana reduzindo a proliferação de fungos e doenças, e a emissão na atmosfera de gás metano (um dos responsáveis pelo efeito estufa).

Continuamos nossa viagem pelos materiais sustentáveis brasileiros, e, nesta edição, contamos a história de um escritório do Rio de Janeiro cuja especialidade é criar novos materiais a partir de matérias primas-naturais: o Fibra Design Sustentável.


Esforço compensado

Durante o curso de design, os alunos acabam conhecendo muitos materiais com que podem trabalhar, mas a curiosidades, inevitavelmente, os levam a pensar em novas alternativas. E em um mundo onde inovação é a palavra de ordem, as faculdades acabam incentivando e direcionando este tipo de comportamento.



É mais ou menos neste contexto que começa a história do escritório Fibra, um grupo de amigos, amantes do skate e do surf e estudantes de design da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), do Rio de Janeiro. Juntos, os colegas decidiram desenvolver um skate fora do comum usando um material também nada convencional: madeira de pupunha. Como a madeira mesmo não oferecia a resistência necessária, tampouco tinha dimensão para um skate, a saída foi desenvolver um compensado com a madeira.



O resultado foi tão bom que a dupla, Claudio Ferreira e Thiago Maia, decidiu inscrever o Compensado de Pupunha no iF Design Awards de 2005, em parceria com a ESDI, na categoria Novos Materias. O sucesso foi absoluto e o Compensado foi consagrado com o IF Gold, prêmio máximo dado pelo International Forum Design Hannover, da Alemanha. A visibilidade nacional e internacional, e o aumento da equipe com a associação de Bruno Temer e Pedro Themoteo, incentivaram a dupla a dar continuidade nas pesquisas com outros materiais.

No início de 2006, Bernando Ferracioli se juntou ao grupo, que passou a se organizar em uma estrutura verdadeiramente industrial. Foi formalizada a Fibra Design Sustentável, que até então estava apenas na ideia. A parceria com a ESDI continuou e a equipe contava com bolsas de auxílio à pesquisa da UERJ.

Na medida em que a empresa crescia e ficava mais evidência na mídia, também aumentou a demanda por serviços e matérias desenvolvidos pela Fibra, despertando o interesse de investidores. Um deles foi Oskar Metsavaht, ambientalista e empresário, fundador da Osklen, que se tornou sócio da Fibra Design Sustentável.


Bambu, banana, curauá

Hoje, a Fibra Design Sustentável trabalha, ao todo, com quatro materiais desenvolvidos por eles próprios. Além do Compensado de Pupunha, também chamado Bioplac, existe o Compensado de Bambu Orgânico e o Bananaplac, feito a partir das fibras da bananeira provenientes da agroindústria da banana.

Com o Bioplac foi desenvolvido o skate Folha Seca, em um projeto aberto em parceria com o LETS EVO. Todo o desenvolvimento deste produto foi aberto, publicado em um blog na internet, e o resultado não poderia ter sido melhor. O equipamento foi finalista do VOLVO SportsDesign 2008, na categoria Pranchas e participou da Ispo Winter 2008, a maior feira de esportes radicais do mundo, realizada em Munique.

Ótimos resultados para uma empresa que tem apenas três anos que ainda tem muito a conquistar. Os desafios? Continuar a pesquisar e desenvolver materiais sustentáveis e melhorar os processos para aumentar a escala de produção, que ainda são semi-artesanais.

Tomara que este espírito de muita “fibra” se espalhe a todos os profissionais e estudantes do Brasil, e que as novidades em materiais e produtos sustentáveis também tenham sotaque paulista, paranaense, gaúcho, mineiro, amazonense, acriano, recifense…

Fonte: ABCDesign

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